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A serviço dos banqueiros: Ana Paula Vescovi defende quebra do monopólio do FGTS

18/12/18 13:58 /

Com a proximidade do novo governo, que já afirmou que pretende privatizar tudo que puder, a cobiça sobre a gestão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, hoje de responsabilidade da Caixa Econômica Federal, só aumenta. Agora foi a vez de Ana Paula Vescovi, secretária executiva do Ministério da Fazenda e presidente do Conselho de Administração do banco, defender uma ampla remodelagem do FGTS.

O argumento parece tentador: melhorar a remuneração dos recursos do trabalhador. Mas para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, os motivos são outros. “O que se quer, na verdade, é quebrar o monopólio da Caixa, algo que os bancos privados sempre defenderam. Estão de olho nos mais de R$ 510 bilhões de ativos, mas sem nenhuma preocupação com o papel social do Fundo de Garantia, sobretudo nas áreas de habitação e saneamento”, diz.

A fala de Ana Paula Vescovi não está isolada. Em novembro, o presidente do Santander, Sérgio Real, defendeu que a quebra de monopólios nos serviços financeiros, como depósitos judiciais, folhas de pagamento e a gestão do FGTS. Já na semana passada, Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, admitiu que o banco está de olho em possíveis oportunidades de aquisições vindas de Caixa e Banco do Brasil.

“O que vê é uma tendência de que o novo governo dê ainda mais voz aos banqueiros, que só visam ao lucro, sem qualquer preocupação com o desenvolvimento social. Vescovi afirma que a remuneração do Fundo de Garantia é ‘uma das fontes de desigualdade de renda do país’. Isso é um absurdo, mas que não nos espanta, vindo de quem veio. É graças aos recursos do FGTS que milhões de famílias conseguiram realizar o sonho da casa própria, além de ter esgoto e água tratados nos últimos anos”, lembra Jair Ferreira.

O presidente da Fenae reforça que a mobilização dos empregados da Caixa e da sociedade será essencial para barrar retrocessos. “O que está ruim pode piorar, já que teremos um governo que defende a venda do patrimônio público, além do fato de que o banco será presidido por um especialista em privatizações. Nossa unidade e nossa resistência são as armas que temos para defender a Caixa 100% pública, forte e social”, diz Jair Ferreira.

Centralização do FGTS na Caixa

O presidente da Fenae recorda que o FGTS como está hoje, com contas organizadas, só foi possível graças à Caixa. “Até 1990, cada empresa escolhia o banco em que efetuava os depósitos dos valores dos trabalhadores. Com a alta rotatividade de emprego, havia descontrole da aplicação dos recursos e da regularidade do recolhimento, o que gerava contas inativas e dinheiro perdido nos bancos. Graças à luta dos bancárias e bancárias da Caixa, da qual temos muito orgulho, foi possível centralizar as contas”, observa.

Não tem sentido privatizar a gestão do FGTS

A Fenae lançou em outubro a campanha “Não tem sentido”, cujo objetivo é mobilizar os empregados da Caixa e a sociedade mostrando que o banco precisa continuar 100% público, forte, social e a serviço dos brasileiros. E fazer parte é muito simples! Por meio do site www.naotemsentido.com.br, é possível enviar vídeos ou escrever depoimentos opinando por quais motivos a empresa não pode ser privatizada ou enfraquecida.

Em manifesto divulgado por ocasião do lançamento da campanha, a Fenae destaca que não tem sentido jogar fora conquistas importantes. “Poupança, penhor, habitação, FGTS, programas sociais inovadores, eficientes e reconhecidos no mundo inteiro. Em 157 anos de existência a Caixa consolidou o seu protagonismo no desenvolvimento econômico e social do Brasil”. E ainda: “Quem defende a privatização da Caixa, seja de todo o banco ou seja em partes, não tem o menor compromisso com o Brasil e com os brasileiros”.