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Fenae repudia retomada da narrativa privatista na Caixa

13/08/18 18:56 /

O futuro do Brasil como nação democrática e soberana depende do futuro da Caixa Econômica Federal como banco 100% público. A Fenae reafirma esse alerta mais uma vez depois do anúncio pelo Conselho de Administração, na sexta-feira da semana passada (10), de que os próximos vice-presidentes do banco serão escolhidos em processo seletivo externo, a ser conduzido por consultoria privada. A medida, a pretexto de reforçar a eficiência e fazer uma melhor gestão, mira na privatização como objetivo final, pois prevê que os cargos diretivos passem a ser ocupados prioritariamente por “técnicos” advindos do mercado.

“Essa narrativa não é nova. Trata-se da mesma que foi adotada na década de 1990 e, com muita luta, foi derrotada. Mais uma vez, temos que combater qualquer proposta que signifique retrocesso na atuação da Caixa, que serve hoje a todos os cidadãos. Os ataques comandados pelo atual governo, que no CA é representado pela presidente Ana Paula Vescovi, mostram bem que o objetivo é apequenar o banco para, assim, abrir espaço para os privados”, afirma o presidente da Federação, Jair Pedro Ferreira.

O novo processo seletivo para os postos de direção da Caixa, na avaliação da Fenae, é mais uma medida para destruir a necessidade de melhoria da governança nas empresas públicas. Ocorre que a fiscalização dos recursos públicos e uma gestão transparente são exigências da sociedade democrática e dos movimentos organizados, que sempre levantaram a reivindicação de defesa das empresas públicas e de sua atuação direta nas áreas sociais e no desenvolvimento do país.

Rita Serrano, representante eleita dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa, é contra a forma de seleção de vice-presidentes. “A melhor opção seria os dirigentes selecionados entre os empregados. Porque a Caixa conta com corpo funcional qualificado, formado por meio de concurso público, com médias de escolaridade e formação acima das demais instituições financeiras”, observa. “A melhor forma de combater a corrupção é ampliar os espaços para controle social”, completa.

A função profícua da Caixa e de outros bancos públicos é atender às necessidades da população, tendo como parâmetro o investimento em desenvolvimento. No governo de Michel Temer, porém, os bancos públicos federais vêm adotando os juros, as tarifas e os modelos dos bancos privados. Diante dessas ameaças recorrentes, a defesa da Caixa 100% pública continua na pauta das entidades representativas, pois a crença é de que banco público deve servir ao desenvolvimento do país em favor da população.

“A implantação de um processo seletivo conduzido por uma consultoria privada é uma ameaça sem precedentes, pois a Caixa que o Brasil precisa é 100% pública”, adverte Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae. Ele reitera: “O propósito dessa política do CA, a pretexto de conferir maior transparência na condução da Caixa, é forçar essa instituição a se distanciar dos interesses da sociedade. Contra esse retrocesso, a mobilização do movimento sindical, dos trabalhadores e da população precisa ser intensificada”.

A alegação de que a Caixa é ineficiente precisa ser repudiada veementemente. O que se mira, na verdade, é uma empresa que cumpre um importante papel social e que tem sido protagonista na melhoria de vida da população, notadamente o setor mais pobre. Sabemos que há problemas no decorrer dessa trajetória, mas as soluções passam pela manutenção do caráter social e público do banco e pela valorização de todos os seus empregados.

Tempos atrás, por conta da mobilização e da resistência dos empregados e de vários setores da sociedade, a Caixa foi impedida de tornar-se Sociedade Anônima. Agora, diante do processo de abertura de seleção para gestores da empresa, um novo desafio se impõe. Cabe ao movimento nacional dos empregados esclarecer as reais consequências de uma eventual privatização e deixar clara a importância da Caixa para o conjunto de seus trabalhadores e o que ela representa para a sociedade brasileira.