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Reabertura do PDE vai reduzir número de empregados e ameaça papel social da Caixa

26/11/18 14:55 /

A Caixa reabriu nesta segunda-feira (26) o Programa de Desligamento de Empregado (PDE), com o objetivo de reduzir o quadro de pessoal em até 1.626 trabalhadores. A direção do banco e o governo falam em economia de mais de R$ 324 milhões, mas ignoraram os impactos que serão gerados. Entre eles, sobrecarga e adoecimento dos bancários que seguirão na empresa, agências mais cheias e redução do histórico papel social da Caixa.

Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae, reforça que as entidades representativas não são contrárias aos planos de demissão e aposentadoria em si. “Aderir é um direito de todos os colegas. O que reivindicamos é a contratação de empregados para preencher as vagas deixadas. Cerca de 16 mil trabalhadores se desligaram do banco desde 2015. Enquanto isso, há mais de 30 mil aprovados no concurso de 2014. Essa redução do quadro faz parte dos planos para enfraquecer e fatiar a Caixa”, afirma.

O banco público terminou 2014 com mais de 101 mil empregados. Na época, divulgou matéria se orgulhando da marca. Hoje, são cerca de 85 mil, total que deve cair mais com o PDE. “O que temos hoje é um recuo da atuação da Caixa, que está lucrando mais, mas à custa de menos crédito para a população, aumento de juros e tarifas e retirada de direitos dos trabalhadores. Esse enfraquecimento do banco não interessa ao Brasil e aos brasileiros”, diz Jair Ferreira.

Em 2014, a Caixa tinha 771,7 clientes e 836,8 contas para cada empregado. Devido à constante redução do quadro de pessoal, no ano passado já eram 1.004,5 clientes e 1.140 contas por trabalhador. Já o número de empregados por agência caiu no mesmo período, de 30,2 para 25,8. Na prática, isso significa mais trabalho, mais responsabilidades, mais pressão por metas e mais assédio enfrentados diariamente pelos bancários.

Segundo a pesquisa Saúde do Trabalhador da Caixa, encomendada pela Fenae, um em cada três empregados da instituição teve algum problema de saúde relacionado ao trabalho nos últimos 12 meses. “As doenças psicológicas e causadas por estresse representam 60,5% dos casos. Obviamente, o que já está ruim tende a ficar ainda pior com mais um plano de desligamento e com a falta de uma política de gestão de pessoas”, observa Fabiana Matheus, diretora de Saúde e Previdência da Fenae.